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Futebol: Evolução de jogadores estrangeiros nos três grandes (1934-2014)

Em pausa natalícia, o espaço para reflexão e análise cresce e foi nessa perspetiva que a A Bola TV se lançou à procura de dados concretos e demonstrativos da evolução do jogador estrangeiro nos três clubes mais titulados: Benfica, FC Porto e Sporting.

O trabalho foi realizado tendo em conta todos os onzes em todos jogos oficiais dos três emblemas em toda a sua história, avaliando os números presentes na extensa e completa base de dados do nosso órgão.

O último jogo 100 por cento português de início, o último com a maioria portuguesa, os jogadores mais marcantes, as épocas com mais estrangeiros, a evolução por décadas e das últimas dez temporadas em específico, tudo detalhado em três artigos apresentados de seguida.

Benfica: o mais tardio, mas o que mais estrangeiros tem tido recentemente
FC Porto: tendência de estrangeiros extremada esta década
Sporting: o mais português dos três grandes, embora já com estrangeiros em maioria
©Sérgio Oliveira
©Sérgio Oliveira
©Sérgio Oliveira

 

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A Bola Repórter: A «Trégua do Natal» de 1914

A «Trégua de Natal» foi um armistício espontâneo que ocorreu por entre as trincheiras da frente ocidental no Natal de 1914, durante a I Guerra Mundial. No meio da mortandade sem sentido da I Guerra, houve canções de natal, troca de presentes entre soldados alemães de um lado, e ingleses e franceses do outro, rezou-se pelas almas dos que partiram e houve até mesmo jogos de futebol, jogados na «terra de ninguém», nessa fria manhã de Natal...  

Uma Guerra sem par

É uma história antiga, contada por inúmeras vezes... Tudo começou num engano num trajeto de automóvel (1) numa pequena rua de Sarajevo, que redundou num ultimato que culminou numa declaração de guerra da Áustria à Sérvia. A máquina militar entrava em cena e pouco tempo depois a Europa encontrava-se dividida por dois blocos em guerra, liderados de um lado pela Alemanha e do outro pela Grã-Bretanha. Começava assim a I Guerra Mundial, a Guerra que se pensava que iria acabar de vez com todas as guerras...

De tal maneira foi destrutiva e eficaz na forma de acabar com vidas humanas, que ficou conhecida pelos contemporâneos e vindouros, como a Grande Guerra, deixando uma marca indelével na memória comum. 
 

No fim do conflito que ceifou 16 milhões, um número jamais possível até então, a Europa devastada começava a longa agonia do seu declínio, perdendo o domínio das rédeas do planeta durante a II Guerra Mundial, que para muitos historiadores, não é mais do que a continuação do conflito de 1914-18, após uma breve trégua de vinte anos...
 
Caíram impérios centenários como o Russo, o Otomano ou o Austro-húngaro, a Revolução Russa permitiu o primeiro estado socialista do mundo: a União Soviética. Nas décadas seguintes, o fantasma do fascismo avançou imparável na Europa, primeiro tomando o poder na Itália, depois em Portugal, Mais tarde na Hungria, Grécia, Lituânia, Alemanha, Jugoslávia, por fim na Espanha... 
 
«Noite Feliz»
 
Nos dias que antecederam o Natal de 1914, nas trincheiras da frente ocidental, desde o Mar do Norte à fronteira com a Suíça, começaram a surgir sinais do espírito natalício. Dias antes, o Papa Bento XV, apelara a um cessar-fogo, prontamente recusado pelos dois lados do conflito. 
 

Na noite de 24, os tiros foram-se calando espontaneamente, ao longo da frente. Na zona de Ypres, na Bélgica, soldados alemães começaram a colocar velas ao longo das trincheiras, decorando-as com enfeites e começando a decorar também algumas árvores de Natal, ao mesmo tempo que entoavam canções de Natal. Do outro lado das barricadas, os ingleses responderam, começando a cantar as suas canções de Natal e algumas versões, das canções que os alemães já cantavam.
 
Saudações de «Feliz Natal» começaram a ser dedicadas ao inimigo, até que alguns soldados, pondo de parte as armas, avançaram para a Terra de Ninguém, onde ingleses e franceses, se encontraram com os alemães, começando a trocar os mais diversos presentes que tinham à mão, como chocolates, tabaco ou álcool.
 
Debaixo de um frio gelado, com muitos graus abaixo do zero, conseguiu-se aquecer o coração dos homens e celebrou-se o Natal, conversou-se, trocaram-se alimentos, abraços e sorrisos. Rezou-se em conjunto, recuperam-se os corpos de alguns dos que tinham tombado recentemente na zona entre trincheiras. A trégua, nalguns casos, só durou essa noite, voltando a artilharia a fazer estragos logo pela manhã.
 
A bola da paz
 
Porém, noutras zonas, a trégua continuou pelo dia de Natal fora (2), realizando-se diversos jogos de futebol entre os alemães e os aliados ocidentais. Dos mais diversos jogos que se jogaram ao longo de centenas de quilómetros da frente. 3x2, a favor de uma equipa de alemães, foi o único dos resultados que chegou até nós, documentado em cartas escritas nos dias seguintes, tanto por alemães como ingleses às respetivas famílias.
 

Essas cartas falam da emoção do momento, da alegria de partilhar um jogo, chutar uma bola com os homens que tinham tentado matar nos dias anteriores. A espontaneidade dos jogos de futebol na «terra de ninguém», demonstrou a dimensão que o futebol começava a ter entre os europeus, tornando-se já então, no desporto mais amado. 
 
Da mesma maneira que a trégua começou, acabaria por terminar por mútuo acordo. E para estranheza de mais dos cem mil que tinham participado nos diversos armísticios de ocasião, ao fim de algum tempo, as metralhadoras voltaram a disparar, as granadas a rebentar, a artilharia a bombardear. A guerra voltava...
 
Para  memória futura
 
Até às últimas décadas do século XX, muitos pensavam que tudo não passara de um rumor de trincheira. Contudo, os relatos, as cartas, e as histórias acabaram por confirmar, e mostrar que no Natal de 1914, na frente ocidental, milhares de homens interromperam a chacina para conviver, festejar o Natal e inclusivamente jogar futebol...
 
As gerações vindouras nunca esqueceram, e a cultura popular está repleta de referências à «Trégua de Natal», em registos tão dispares como a série cómica inglesa Blackadder (1989) que se passava nas trincheiras da I Guerra Mundial, o vídeo musical de Paul McCartney para a música Pipes of Peace de 1983, a música All Together Now dos britânicos Farm de 1990, ou a mais recente representação dos acontecimentos do dia, no filme de 2005, Joyeux Noël [pt: «Feliz Natal»], de Christian Carion, com Daniel Brühl.
 

E se passado tantos anos, muitos ainda lembram a «Trégua de Natal» como um dos mais tocantes e belos momentos da história, um intervalo de luz por entre a chacina e o horror, a verdade é que então nem todos viram nessa trégua um exemplo a ser seguido. O General Sir Horace Smith-Dorrien, Comandante do II Corpo Britânico, quando informado do sucedido, proibiu imediata e terminantemente qualquer contacto com o inimigo, sublinhando a necessidade de se manter o espírito combativo, demovendo qualquer ideia mais amigável relativamente ao inimigo. A ameaça de prisão e fuzilamento dos prevaricadores foi suficiente para assustar as mentes mais "pacifistas".
 
Do outro lado, um jovem cabo, do 16º Regimento da Baviera, de seu nome Adolph Hitler, vociferava para quem o quisesse ouvir: «Estas coisas não deviam acontecer durante do tempo de guerra. Porventura os alemães perderam já todo o sentido de honra?» 
 
Nem Hitler, nem os altos comandos dos dois lados se precisavam preocupar. Rapidamente o conflito foi retomado, com ofensivas cada vez mais onerosas em vidas para ambos os lados. Um ano depois, a quantidade imensa de mortes às mãos das metralhadoras, mas também dos bombardeamentos e dos gases venenosos, provocaram um crescimento tal do ódio ao inimigo, que a trégua já não pode ter lugar.
 
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(1) - o Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro, foi assassinado a 28 de julho de 1914, em Sarajevo. Nesse mesmo dia, foi vítima de uma tentativa falhada de assassinato. Apesar do susto, sobreviveu sem ferimentos. Horas mais tarde, quando já depois de ter visitado os feridos do atentado da manhã, o condutor do seu automóvel perdeu-se no caminho do hospital, e vendo-se obrigado a fazer inversão de marcha. Foi nessa altura que o motor do veículo foi abaixo, num cruzamento em frente ao bar onde Gavrilo Princip se refugiara para beber um copo e esquecer o falhanço da manhã. O revolucionário nem queria acreditar que o destino lhe dera uma segunda oportunidade e ali estava o Arquiduque desprotegido, à mão de semear. Da segunda vez, Princip não falhou e consumou o atentado, assassinando Francisco Fernando. 
(2) - Em alguns locais da frente as tréguas chegaram até ao Ano Novo.
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A Bola Entrevista: O futebol que começou aos 15 anos e que já passou pelo Valencia

Aos 24 anos, ainda é difícil considerar que alguém tenha história para um livro, mas a de Cristiano é, na vertente futebolística, das que mais se aproxima. Ao contrário do comum dos jogadores, foi de forma bastante tardia que o guarda-redes da Académica se lançou para o campo, de forma peculiar e já com muito para contar.

''Ser guarda-redes é uma paixão

Começando pelo início futebolístico, foi apenas com 15 anos, e de forma acidental, que arrancou para uma carreira que, apesar de curta, está já repleta de altos e baixos, aqui contada na primeira pessoa.

«Comecei muito tarde, apenas com 15 anos. Foi num torneio de futebol, entre amigos. Precisavam de um guarda-redes e lá fui eu para a baliza. Daí fui para o Académico de Viseu», iniciou o conto, na conversa com o zerozero.pt. Do torneio para o clube com mais nome do distrito foi um 'saltinho', tal como daí para o clube de Coimbra, onde teve uma passagem curta, por ter infringido as regras.
 

As peripécias da carreira contadas ao zerozero.pt ©Catarina Morais
 

«Por vezes, há coisas que nos acontecem e que não têm explicação. No ano a seguir estive aqui na Académica, mas só por seis meses. Porquê? Por culpa própria, não cumpri as regras que estavam estabelecidas no clube. E voltei a Viseu, indo para o Penalva do Castelo, onde surgiu a hipótese de ir para Braga... e aqui estou outra vez», simplificou, sobre o rebuliço que tem sido a sua carreira.

De forma mais aprofundada, a análise ao seu currículo deixa em destaque 2011/2012, já depois de se tornar sénior. No terceiro escalão do futebol nacional, cativou a atenção do poderoso Valencia, que avançou para a sua contratação.

«Eu estava emprestado pelo SC Braga ao Vizela e jogava com regularidade, o que me permitia ir aos sub-21. Estava em final de contrato com o SC Braga, a renovação não se deu e acabei por assinar pelo Valencia. Por um lado foi bom, só que, com o decorrer da época, as coisas complicaram-se. Tive uma lesão em cada joelho, o que me impediu de mostrar o valor que eles esperavam e que eu também contava mostrar», falou, sobre uma aventura de um ano apenas.

Com 20 anos, via-se numa realidade nova e numa equipa de proa no futebol espanhol. Só que a estadia foi curta, sem hipótese de uma segunda oportunidade: «Nestes clubes, talvez não haja espaço para segundas oportunidades. É chegar, ver e vencer, o que não aconteceu».
 

Cristiano Figueiredo
2014/2015
10 Jogos   900 Minutos
12    1    0    0 2x

 

Segunda chance que foi dada pelos bracarenses, para onde voltou no ano seguinte: «Voltei a Braga, voltei a jogar na equipa B, na época passada era suplente, só que cheguei ao fim da temporada e falei com os responsáveis. Decidi que queria jogar, que tinha valor para isso, e disse-lhes que, se não contavam comigo para número 1, preferia ir para outro clube. Surgiu esta oportunidade [Académica] e vim com todo o gosto».

«Tive propostas de outros clubes da Primeira Liga, mas optei pela Académica por ser uma cidade e um clube que já conhecia e que me tratou muito bem no tempo em que estive aqui», continuou, na narração de uma carreira que se vai desenrolando de forma frenética, na procura da consolidação do nome Cristiano no primeiro escalão.

''Não tenho dúvidas que temos qualidade para estarmos mais acima na classificação

Na Académica para crescer

Foi nesse sentido que escolheu Coimbra e a Académica, onde tem jogado com regularidade (para o campeonato, apenas falhou o jogo contra o Benfica).

«Sinto-me bem. No geral, as coisas têm-me corrido bem. Pena no coletivo não estarmos a conseguir vitórias. Para aquilo que temos jogado, acredito que merecíamos ter mais pontos. Criamos as oportunidades, só que estamos numa fase em que qualquer erro da nossa parte resulta em golo dos adversários», falou, sobre uma equipa que tem apenas Gil Vicente e Penafiel com menos pontos.
 

Cristiano quer Académica a subir na classificação ©Catarina Morais
 

Com um balneário que «é bom, com pessoas super educadas e responsáveis, sorte é a única coisa que falta», atribui o guarda-redes, natural de Penalva do Castelo, ele que se colocou totalmente ao lado do treinador, que tem recebido algumas críticas por parte dos adeptos conimbricenses.

«Os jogadores têm a convicção de que Paulo Sérgio é um grande treinador. Sem sombra de dúvidas que não é por causa dele que algo tem falhado», assegurou.

Depois da defesa, o ataque, ainda que nada de forma ofensiva. Cristiano terminou com uma abordagem aos adeptos do clube. Vincando que a sua prioridade é defender a baliza, com mil ou com 30 mil nas bancadas, o jogador deixou entrelinhas, odesejo do plantel em ver a plateia mais composta para um clube que, refere, tem poucos inimigos e fama de simpatia.

«As pessoas apoiam e gostam da Académica. Mesmo quem olha de fora da cidade, nota-se que olha para o clube com agrado, considerando que aqui as coisas são bem feitas. O opinião só pode ser boa. Não sei porque é que as pessoas não vão mais ao estádio, é sempre importante esse fator, mas eu, quando estou em campo, com estádio cheio ou vazio, quero é defender a Académica», terminou.

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Futebol: Real Madrid à procura de proeza que ninguém consegue há 25 anos

No fecho do ano civil madrileno em 2014, foram várias as palavras de enaltecimento do que foi feito, mas também foram muitos os desejos para o ano que está para chegar.

Um deles foi dito esta terça-feira pelo presidente Florentino Pérez, já depois de o treinador Carlo Ancelotti ter afirmado que «2014 abriu um novo ciclo» no clube.

Após se referir ao «adeus» de Alfredo di Stéfano, Pérez analisou uma conquista em particular: a Liga dos Campeões.

 

«O último jogo que o nosso Presidente de Honra [Di Stéfano] é outro grande acontecimento do ano: a décima Liga dos Campeões. Para os madrilistas representou a satisfação de ter sido conseguido algo que era desejado há muitos anos. Ao vermos como o mundo inteiro celebrou, podemos ter uma ideia muito maior do que realmente significou. Mas, no Real Madrid, não há tempo para a auto complacência e já todos falam da Décima Primeira, pela qual estamos a trabalhar», garantiu.

Ora, numa rápida análise aos números, é possível ver que a história recente garante que tal é bastante complicado. É que há 25 anos que nenhum clube consegue ser campeão europeu em anos consecutivos - nunca aconteceu no formato Liga dos Campeões.

O último obreiro de tal proeza foi o Milan, em 1988/89 e em 1989/90 (esta última ao Benfica), uma equipa que tinha Carlo Ancelotti... como jogador. 25 anos depois, há o desafio a quebrar para Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e companhia.

E, já que se fala de estatística, não é menos relevante a curiosidade de nunca uma equipa com 18 pontos na fase de grupos ter conseguido ganhar a prova. Os merengues fizeram um percurso imaculado no grupo B, com seis jogos e seis triunfos...

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Futebol: A carreira dos 3 grandes no campeonato

Com o campeonato português parado para a quadra natalícia, a A Bola TV entra no campo dos números e compara a prestação dos chamados 3 grandes na prova nacional desta época com o que faziam, por esta altura, na época passada. Desde já uma curiosidade: o Benfica é o único que tem mais vitórias.

Se há um ano os três grandes tinham todos 33 pontos no fecho da 14.ª jornada (a última antes do Natal e da Passagem de Ano), esta temporada as coisas estão diferentes, com as águias agora isoladas na frente da Liga, tendo os seus rivais na perseguição.

Benfica já mediu forças esta época com o FC Porto ©Catarina Morais
 

Em 2014/2015, o Benfica soma 37 pontos fruto de 12 vitórias, um empate e uma derrota. Há um ano, os encarnados somavam 10 vitórias, três empates e uma derrota. O único desaire das águias foi, para já, em Braga, enquanto que a visita do Sporting ao Estádio da Luz marca o único empate da formação de Jorge Jesus nesta época, isto no que toca ao campeonato nacional, a única prova analisada nesta peça.

Já o FC Porto tinha há um ano 10 vitórias, três empates e uma derrota, enquanto que a formação de Lopetegui tem agora nove vitórias, quatro empates e uma derrota. Se há um ano os dragões entravam na época natalícia apenas com uma derrota averbada em Coimbra frente à Académica, esta época os portistas também vão passar o ano com uma derrota no campeonato, desta feita sofrida com o Benfica. Os campeões nacionais foram ao Estádio do Dragão derrotar a equipa de Julen Lopetegui. Os quatro empates desta época do FC Porto aconteceram em Guimarães, na receção ao Boavista, na visita a Alvalade e no duelo com o Estoril, na Amoreira.

Marco Silva chegou esta época ao Sporting ©Catarina Morais
 

Quanto ao Sporting tem sete vitórias, seis empates e uma derrota, ao passo que na última época depois da 14.ª jornada, a equipa então orientada por Leonardo Jardim somava 10 vitórias, três empates e uma derrota.

O único desaire desta época aconteceu frente ao Vitória, em Guimarães, enquanto que na última época a derrota dos leões tinha acontecido frente ao FC Porto, no Estádio do Dragão. Os empates da formação verde e branca aconteceram esta época quase todos em Alvalade (4 - Belenenses, Paços de Ferreira, FC Porto e Moreirense), na Luz frente ao Benfica e com a Académica, em Coimbra.

Em conclusão, e reforçando que apenas se analisa aqui a carreira dos chamados 3 grandes no campeonato nas 14 primeiras rondas, é possível dizer que Lopetegui e Marco Silva têm uma folha de serviços pior do que tinham Paulo Fonseca e Leonardo Jardim, enquanto que Jorge Jesus vê o Benfica estar melhor esta época do que estava na última temporada. 

O Benfica tem mais vitórias conquistadas e igual número de derrotas como há um ano - uma. O Sporting tem menos vitórias e uma derrota tal como há um ano. O FC Porto tem igual número de derrotas (uma, neste caso, tal como há um ano) mas os dragões têm menos vitórias somadas agora.

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A Bola Repórter: CUF (Fabril Barriero)

A história do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro é indissociável da história da Companhia União Fabril (CUF), e como tal, é por aí que temos de começar.  

O grupo industrial, que em tempos teve a sua principal base de operações no Barreiro, nasceu do génio empreendedor de Alfredo da Silva, o homem responsável pela fusão da sua Aliança Fabril com a mais antiga, mas igualmente em crise, União Fabril, com sede em Alcântara, Lisboa. Em 1898, o empresário tornou-se diretor da nova empresa que em breve se tornaria numa das principais empresas do país.
 
Um homem dos regimes

Alfredo da Silva, apoiante de João Franco, desde que este provocara uma cisão dentro do Partido Regenerador, para dar origem ao Partido Regenerador-Liberal, apoiou o político quando este substitui Hintze-Ribeiro no governo (1906), por nomeação de D. Carlos.

Quando o monarca dissolveu a Camara e entregou a João Franco poderes ditatoriais (1907), Alfredo Silva este ao seu lado desde a primeira hora, percebendo a importância da sua CUF estar próxima do regime. Alfredo da Silva seria parlamentar do partido de Franco, mais tarde um grande apoiante de Sidónio Pais e mais tarde amigo pessoal de António de Oliveira Salazar. 

Um ano volvido, a CUF muda-se de armas e bagagens para o Barreiro, onde começaria a formar o seu império. Implantada a República em 1910, Alfredo da Silva, demorou a ganhar a confiança das autoridades republicanas, mas mesmo durante os períodos de crise, a CUF cresceu (beneficiando das necessidades causadas pela Primeira Guerra Mundial) espalhando-se para as colónias, onde podia encontrar as matérias primas fundamentais para os seus diversos negócios, especialmente durante o Sidonismo. 

O 28 de Maio de 1926 e a nova ditadura e o Estado Novo que entretanto surgiria, ajudaram a CUF a sedimentar a sua posição como maior grupo económico nacional, que com o tempo se tornaria na maior empresa da Península Ibérica e num dos cinco maiores grupos da Europa. 

Alfredo da Silva, tornou-se o patrão entre todos os patrões portugueses, com a sua empresa a ser a maior das raras excepções industrializantes concedidas pela ditadura de Salazar, com a sua visão tacanha de um predomínio rural e agrícola, profundamente avesso a modernidades e aos riscos de uma sociedade industrializada.

A força do grupo

Próximo do poder, criou para si uma aura de todo-poderoso, mas também de benfeitor, mas a sua liderança também tinha muito de punho de ferro. Aproveitando as concessões monopolistas em África e muito à luz dos valores então em voga, explorou a mão-de-obra barata nas colónias, ainda mais do que acontecia no Barreiro, com os alentejanos que lá se radicavam.

Durante décadas, o Barreiro seria, a par da Marinha Grande, uma vila ocupada militarmente pela Guarda Nacional Republicana (que tinha um posto no complexo fabril) e a própria PIDE mantinha os trabalhadores em constante vigilância.
 
Tal era a dimensão e a importância da CUF no panorama nacional que em 1930 Alfredo da Silva sentencia: «o que o país não tem, a CUF cria». Esta era ambição da empresa que começara como uma fábrica produtora de sabonetes, velas e adubos para se tornar num conglomerado que englobava setores da indústria, mas também com forte presença na banca e nos seguros, assim como no comércio, na extração mineira, nos transportes, no turismo e até na agricultura.

Marcas como o Banco Totta e Açores, a Setenave, a Lusofane e a Compal, empresas em ramos tão distintos como a seguradora Império, a  Lisnave, a Efacec, a Proalimentar, a Tabaqueira ou a Soponata, além obviamente da CUF, com os seus químicos e têxteis,  faziam parte da grande família CUF, formando um grupo que contava com cerca de 150 empresas detidas ou em parte participadas pelo grupo.

Quando o grupo é nacionalizado por decreto em 1975, consequência da Revolução de Abril, o grupo CUF contava com cerca de 110 mil empregados, e valia 5% do PIB nacional. 

O Grupo Desportivo

 
Cumprindo um velho sonho dos trabalhadores e indo ao acordo das ambições da empresa, a 27 de janeiro de 1937 nascia o Grupo Desportivo da CUF do Barreiro, com o duplo objetivo de ajudar os trabalhadores e seus familiares a dedicarem-se à prática desportiva, ao mesmo tempo que o nome da CUF percorria o país nas mais diversas modalidades.
 
Este clube desportivo seguia o exemplo do Clube da CUF em Lisboa (fundado em 1936) , o primeiro de três clubes desportivos da CUF que surgiram no país, o último nasceria na Cidade Invicta em 1945, sob a denominação CUF Porto e duraria até 1945. 
 
Exemplo perfeito dessa política da empresa foi a vitória de Joaquim Fernandes na Volta à Portugal em Bicicleta, no verão de 1939. Não só o nome da CUF percorria o país, como era sinónimo de vitória.
 
Os dois Unidos: Lisboa e Barreiro
 
Em 1940, o Estado Novo, vivendo um período de grande fulgor e propaganda, a exemplo do que outros regimes despóticos fizeram pela Europa e América do Sul, resolve mexer na denominação de alguns clubes.
 
A Junta Nacional de Educação decide que os clubes portugueses não podem ostentar o nome de empresas. As duas equipas da CUF do Barreiro e de Lisboa são obrigadas a mudar de nome respetivamente para Unidos Futebol Clube (Barreiro) e Clube Unido Futebol (Lisboa). Ambos mantêm as cores e o emblema, e o clube de Lisboa qualifica-se para disputar o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, onde consegue o sétimo lugar (com oito equipas), conseguindo o feito de empatar com o bicampeão FC Porto no seu estádio.
 
Na época seguinte, o Unidos volta a ficar em sétimo lugar, desta feita numa prova disputada por doze, onde se destaca a vitória sobre o FC Porto em casa (e o empate na Invicta) assim como os dois empates em que travou o Belenenses. Mas será na época de 1942/43 que a equipa conseguiu o seu melhor resultado, terminando em 4.º lugar, atrás dos três grandes de Lisboa, e batendo o FC Porto nos dois jogos, sendo espetacular a goleada conseguida na Cidade do Porto (2x6), ainda hoje um dos piores resultados de sempre do FC Porto como anfitrião. 
 
1942/43 também ficou na história porque a CUF do Barreiro participou pela primeira vez na competição o que tornou possível um confronto entre as duas equipas da mesma empresa. 
 
Os de Lisboa, conhecidos por Unidos de Lisboa, bateram os do Barreiro por 9x3 em casa e por 2x4 fora, contudo, não conseguiram qualificar-se via Campeonato regional na época seguinte. No ano seguinte a DGEFDSE decretou que os clubes podiam usar o nome de empresas e os Unidos voltaram à denominação original. Um ano antes, o «universo CUF» sofrera grande abalo com a morte de Alfredo da Silva, a 22 de Agosto de 1942. 
 
Em 1947 o clube lisboeta fechava portas para nunca mais voltar a competir. Surgiria mais tarde um novo clube Unidos de Lisboa, mas sem ligação à CUF.
 
Crescimento
 
Entretanto no Barreiro, o projeto desportivo crescia, com os escalões mais jovens a alimentarem regularmente a equipa. A tradição de aposta nos jovens começou logo nas primeiras épocas, fruto da equipa de juniores, sob a denominação Unidos do Barreiro ter-se sagrado campeã nacional em 1940. 
 
Em 1953/54 a equipa de juniores chegou à final do Campeonato Nacional, perdido para a Académica de Coimbra, mas a equipa principal tinha motivos para festejar, pois conseguia pela segunda vez a promoção à primeira divisão. 
 
Poucos estariam perto de imaginar, mas a GD CUF estava a um passo de se tornar uma habitué do primeiro escalão. Durante 22 anos consecutivos permaneceu entre os grandes, conseguindo desde 1962/63, com exceção do ano em que desceu, nunca ficar abaixo do 9.º lugar. 
 
O 4.º lugar conquistado em 1961/62 seria um dos pontos altos desse trajeto, mas o grande sucesso chegou em 1964/65, com a CUF a conquistar um histórico lugar no pódio, terminando em terceiro lugar, apenas atrás de Benfica e FC Porto, qualificando-se para a Taça das Feiras, feito celebrado juntamente com a conquista do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins. 
 
Estreia na Europa
 
Em 1965, o velhinho estádio de Santa Bárbara deu lugar ao novíssimo Alfredo da Silva, nova casa dos fabris, construída no Lavradio, Barreiro, num projeto do arquiteto Joaquim Cabeça Padrão. Na estreia na Europa, os fabris acabaram por cair na segunda eliminatória, contra o todo-poderoso AC Milan, vencendo por 2x0 no Barreiro, perdendo por 2x0 em San Siro e acabando eliminados no jogo de desempate (0x1).
 
Duas épocas mais tarde (67/68) a CUF caiu logo na primeira ronda da competição, perdendo com os jugoslavos do Vojvodina. Nova presença na Europa, seria na Taça UEFA que entretanto sucedera à Taça das Feiras. Os rapazes do Barreiro caíram na segunda ronda frente aos alemães do Kaiserlautern, depois de terem eliminado os belgas do Molenbeek
 
Na Taça de Portugal o grande momento dos industriais chegou em 1968/69 com a presença nas meias-finais, contudo a CUF não teve andamento para o Benfica, que venceu por 7x2 no conjunto das duas mãos, avançando para o Jamor onde encontrou a Académica, numa célebre final que ficou famosa pelo protesto dos estudantes com as políticas do regime. 
 
Quatro anos volvidos, nova meia-final, desta feita só com um jogo e novamente contra um adversário lisboeta. O adversário era o Sporting, que venceria, avançando para a final, onde bateria o Vitória de Setúbal (3x2). 
 
A história do clube sofreria um duro revés com a Revolução de Abril. Durante o «Período Revolucionário Em Curso» (PREC) a CUF, o maior conglomerado empresarial do país, seria nacionalizado. 
 
Revolução e mudança de nome
 
O desinvestimento na secção desportiva é imediato. O clube não consegue manter uma equipa competitiva e no meio de grande tormenta e tensões laborais, acaba em último lugar na edição do campeonato de 1975/76, descendo de divisão.
 
Quatro anos depois, a CUF dava lugar à Quimigal, e a GD CUF transformava-se na GD Quimigal, nome que ostentaria até ao final do século. 
 
Em 1991/92 a Quimigal caía para os distritais de Setúbal, iniciando um longo período de declínio que muitos na altura temiam culminar na extinção. Mas os verde-e-brancos sobreviveram e em 1999/00 sagraram-se campeões distritais. Este seria o último momento da Quimigal, que mudaria de nome, para GD Fabril, fechando de vez a ligação do clube à empresa onde nascera. 
 

A nova denominação e o emblema tentavam ser fiéis à tradição e a saudade pelos tempos gloriosos da CUF, que durante duas décadas foi um dos mais competitivos clubes do país.

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Futebol: Jardel comemora jogo 100 como patrão da defesa

É sem Luisão ao lado que Jardel vai atingir o número redondo. No Benfica desde janeiro de 2011, o central brasileiro chega ao quarto ano de águia ao peito com um estatuto de titular que teve que esperar para alcançar.



Raio X [Jogador]
na/o
Jardel   Benfica
99 Jogos
2 Golos Marcados
67 Vitórias
18 Empates
14 Derrotas
+ ver detalhes

Para se ser preciso, é facto que o brasileiro agarrou o lugar logo na sua chegada, que coincidiu com a ida de David Luiz para o Chelsea. Só que essa meia época não chegou para que o número 33 conseguisse um suporte de longevidade no onze de Jorge Jesus.

A chegada de Garay, no verão de 2011, atirou Jardel para o banco, onde foi esperando pacientemente enquanto via a dupla entre Luisão e o argentino consolidar-se por três temporadas. Chegou a ser várias vezes apontado à porta de saída, mas resistiu o suficiente para que a parceria se desfizesse, com a ida de Garay para a Rússia.

Pelo meio, foi fazendo vários jogos, sendo sempre visto como uma opção válida para quando surgia um castigo, uma lesão ou rotação da equipa.



É visto como o guerreiro da Luz ©Catarina Morais
 

Esta temporada, agarrou a vaga e tem sido opção quase sempre - apenas interrompido pela lesão que teve. Chegado a esta altura, desde o 0x4 de estreia na Vila das Aves, são 99 os jogos em que vestiu a camisola principal do Benfica, 88 deles como titular. Dois golos, 14 amarelos e um vermelho, um título de campeão, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e três Taças da Liga são números do brasileiro de Florianópolis, que chegou do Olhanense e que enverga número idêntico aos títulos do clube no campeonato.

Tal como frente ao SC Braga, contra o Gil Vicente também não poderá jogar, por estar lesionado. Tempo para Jardel puxar dos galões e ser o grito de ordem de uma defesa que cometeu alguns erros contra os bracarenses e que pretende não os alongar ao campeonato, a grande prioridade, segundo palavras reiteradas de Jorge Jesus.

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Futebol: Sporting quer sacudir tendência para o empate

Tem sido um resultado bastante frequente para uma equipa que se assumiu como candidata ao título e tal tem impedido a sua presença em zona de real discussão pelo objetivo a que se propôs.

É que, se os empates até ao momento tivessem sido vitórias, o Sporting seria líder de um campeonato onde, apesar do quinto lugar que ocupa, só perdeu por uma vez - em Guimarães, por claros 3x0.

São as igualdades que mais prejudicam o leão de Marco Silva e isso verifica-se pela tendência histórica. É que seis empates após 13 jornadas é mesmo o máximo do clube nas 81 edições do campeonato português.

Aconteceu por três vezes: em 1992/93, em 2009/10 e em 2012/13. Terminadas essas temporadas, os terceiro, quarto e sétimo lugares, respetivamente, transmitiram que a tendência para o empate é tudo menos benéfica a longo prazo.

Um dado que Marco Silva quererá inverter, a começar já na Madeira frente ao Nacional, numa Choupana onde o que mais acontece nas viagens do leão é... o empate (53% dos duelos).

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Futebol: Da melhor para a pior assistência da temporada

O jogo contra o Benfica ditou, em jogos para o campeonato, a melhor assistência no Dragão esta época, com 48.109 espectadores no clássico, só que a derrota foi, disseram as bilheteiras esta sexta-feira, levava muito a peito pelos adeptos na afluência ao jogo seguinte.

É certo que era dia de semana e não menos verdade é que o clima fresco não ajuda, mas não é comum o Dragão registar números próximos dos que se viram neste duelo contra o Vitória de Setúbal: 20.207 espectadores.

Menos 10 mil em relação à anterior pior assistência, que tinha sido contra o Nacional (30.202), o que é bem explicativo do impacto que a derrota contra o Benfica teve para a nação portista.

                                                                                                                                    NOTA: Dados oficiais segundo a Liga de Clubes.

Adversário Jornada N.º de espectadores
Benfica 13 48.109
Marítimo 1 48.036
SC Braga 7 37.103
Moreirense 3 35.508
Boavista 5 31.209
Rio Ave 11 30.328
Nacional 9 30.202
Vitória FC 14 20.207

 

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Futebol: Toni Kroos poderá ser o primeiro europeu a jogar e a vencer duas finais de Mundiais no mesmo ano

O Real Madrid entra em campo este sábado para tentar ser campeão do Mundo de Clubes e muitos são os jogadores que procuram acrescentar o título ao palmarés, mas um deles terá razões redobradas para o querer. Por dois motivos.

Primeiro, porque será o primeiro jogador a ganhá-lo de forma consecutiva. No ano passado, venceu ao serviço do Bayern München (2x0), este ano pode fazê-lo ao serviço dos madrilenos, para onde se transferiu por 25 milhões de euros.
 

Venceu no Brasil com a Alemanha ©Bruno Domingos/ Mowa press
 

Depois, porque pode entrar num restrito grupo de jogadores que se podem gabar, no mesmo ano, de vencerem o Mundial de Seleções e o Mundial de Clubes. Aconteceu com Pelé em 1962 (Brasil e Santos), com o trio argentino Pumpido, Ruggeri e Héctor Enrique em 1986 (Argentina e River Plate), e com a dupla Roberto Carlos e Ronaldo em 2002 (Brasil e Real Madrid).

Falamos de Toni Kroos, alemão que venceu o Mundial no Brasil pela Alemanha e que o poderá fazer agora pelo clube que representa. O médio deverá ser titular na equipa de Carlo Ancelotti e, se o favoritismo resultar em triunfo merengue, tornar-se-á o primeiro jogador europeu a conseguir o feito no mesmo ano.

Sami Khedira não deixa de também ser considerado um jogador válido para esta estatística, se bem que sem a particularidade de ter jogado a final do Mundial: lesionou-se no aquecimento e não foi opção para Joachim Löw.

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