Futebol: Fernando Gomes quer cidade do futebol e reformulação dos quadros competitivos
Numa altura em que se assinalam três anos do mandato de Fernando Gomes como presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o dirigente fez uma espécie de balanço, comentando vários assuntos numa entrevista publicada na revista do organismo.
Fernando Gomes começa por sublinhar que cerca de 80 por cento do que foi definido aquando da sua candidatura à presidência da FPF já está cumprido, havendo «dois desígnios fundamentais» que são para levar a cabo pois possui «muitas expetativas» de que serão levados «a bom porto».
«A construção da cidade do futebol e um plano de desenvolvimento do futebol desde o topo até à base com a reformulação dos quadros competitivos e a proteção do jogador português», explicou, sublinhando a importância do primeiro objetivo referido.
«A construção da cidade do futebol vai permitir que haja uma congregação de grande parte das nossas atividades naquele espaço, com evidentes melhorias de rentabilidade, de sinergias que podem ser estabelecidas, interligação entre as equipas técnicas. Tudo será muito mais fácil e com a nossa decisão de também aí construir a sede da FPF, teremos um espaço privilegiado para estabelecer um diálogo e um regime de proximidade que, do meu ponto de vista, é extremamente importante dentro daquilo que temos vindo a fazer».
«FPF é privada»
O líder máximo da FPF aproveitou, ainda, para fazer a destrinça entre organismos públicos e privados, lembrando o estatuto que possui a Federação.
«A FPF é um contribuinte líquido para o Estado, paga entre sete/oito milhões por ano de impostos, como IRS e IVA», frisou, sublinhando a importância de que «as pessoas ganhem consciência que a FPF é uma instituição de direito privado, dotada de utilidade pública, mas em nenhuma circunstância é uma entidade pública».
Equipas B e Liga «forte»
Fernando Gomes fez ainda um balanço positivo da existência das equipas B a competirem no segundo escalão do futebol luso e admite que a experiência venha a ser alargada aos clubes da Segunda Liga e do Campeonato Nacional de Seniores.
«Têm sido feitas algumas abordagens na FPF no sentido de potenciar ou possibilitar o aparecimento de mais equipas B, não só das equipas da primeira Liga que disputam as competições profissionais mas também da Segunda Liga. Os resultados obtidos nos últimos três anos com a introdução das equipas B na segunda Liga permitiram que um conjunto de jovens tivesse um espaço competitivo muito mais aprofundado e que bons resultados deram nas seleções de Sub-21 e Sub19», enumerou, rejeitando, no entanto, que se crie um campeonato «só de equipas B» pois ficaria a faltar «a componente competitiva» que considera «fundamental para o crescimento dos jovens».
O dirigente da FPF fez ainda um sublinhado à importância de Portugal possuir uma Liga forte, «capaz de organizar os campeonatos profissionais», pois ela tem contribuído e vai continuar a contribuir para a melhoria do futebol luso.
«Foi a partir do momento em que as competições profissionais passaram a ser organizadas pela Liga que se assistiu a um salto qualitativo do futebol português, nomeadamente nos finais da década de 1990, o que teve bons reflexos ao nível da participação nas competições europeias e da classificação no ranking mas também ao nível da seleção nacional. Foi a partir de 2000 que, praticamente, a seleção A esteve sempre presente nas fases finais, quer do Campeonato da Europa quer do Campeonato do Mundo», ressalvou, deixando, já em jeito de remate, a garantia de que é vontade da FPF continuar a marcar presença no Comité Executivo da UEFA.
«Quando o fizemos em 2013 era com a consciência de que poderíamos dar o nosso contributo tal como muita gente portuguesa tem dado nas instâncias internacionais da UEFA. Esse sentimento ainda não o perdemos e em março de 2015 não deixaremos de apresentar a nossa candidatura», prometeu.
Castigo a Fernando Santos é «uma tremenda injustiça»
O dirigente comentou também, mas ao de leve, o castigo imposto pela FIFA ao atual selecionador português, Fernando Santos, ainda quando este tinha funções de selecionador da Grécia.
«Não sou juiz, conheço pouco o processo. Acima de tudo, o que acredito, é que o Fernando Santos, por uma eventual ação que tenha feito naquele jogo, em nenhuma circunstância é merecedor de um castigo tão penoso. É uma tremenda injustiça em relação à pessoa em função do que é visível nas imagens e do que conhecemos do Fernando Santos», rematou.